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Prevenção
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O
ENJÔO PODE SER EVITADO.
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Por:
Dr. Fábio
Lambertini Tozzi e Dr. Fernando P.F. de
Campos
Ilustração: Orlando |
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"Quem já ficou enjoado a bordo sabe que não
existe nada pior do que
os seus efeitos. Saiba o que é e o que fazer para evitar ou atenuar
as suas conseqüências."
O enjôo é o distúrbio orgânico mais comum entre os navegadores. Nove entre
dez que já foram ao mar experimentaram suas conseqüências. Quase todos lembram-se de pelo menos uma viagem onde um tripulante ficou enjoado.
Apesar de existirem drogas anti-enjôo, o melhor é adotar medidas preventivas.
Teoricamente qualquer um que possua o ouvido interno íntegro (órgão do equilíbrio) e que receba de forma contínua um estímulo não usual nestes receptores, como por exemplo o balanço do barco, poderá apresentar o enjôo.
A sensibilidade é maior na criança e declina com a idade e com a familiaridade com ambientes em movimento.
CAUSAS DO ENJÔO
A origem do enjôo tem pequena ou nenhuma relação com o
estômago. O enjôo ocorre quando porções do cérebro responsáveis pela manutenção do equilíbrio recebem sinais
dos olhos, ouvido interno, músculos e articulações de forma desordenada ou combinada, mas incompatível
com o habitual.
No mar, a pane do cérebro responsável pelo equilíbrio recebe sinais sobre a posição espacial do corpo conflitantes com os padrões aprendidos. Em terra, esses sinais são chamados de "conflitivos" e desencadeiam reflexos posturais no sentido de estabilizar o olhar
ou a visão. Quando esses sinais aumentam e são mantidos, ocorre também estimulação do centro responsável pelo
vômito, causando o enjôo.
Geralmente, os primeiros sintomas são bocejos, sonolência seguida de fadiga e letargia. À medida que os sintomas avançam, surge um mal-estar gástrico que se traduz em náusea, a face se torna pálida, particularmente na região
ao redor do nariz e boca, e as mãos e face ficam frias. O próximo passo é o aumento da náusea e na maior parte das vezes o vômito se toma inevitável.
PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Quando os primeiros sintomas aparecerem, faça algo para combate-los. Suba
para o deck, o que elimina o conflito visual, ou fique à meia nau ou na popa,
onde os estímulos
visuais conflitivos são menos intensos. Use a técnica de "olhar o horizonte" e procure compensar antecipadamente o deslocamento que será gerado. Não é necessário ficar olhando fixamente o horizonte. Olhe ao redor, as ondas,
nuvens e mesmo os barcos que estejam próximos.
Evite deitar ou ficar inerte na cabina. Sente-se e deixe que a cabeça e os
músculos do tronco superior balancem sobre o quadril. Antecipação postural
é a cura natural do enjôo. Quando acordar não fique muito tempo na cabine. Vista-se logo, coloque roupas fáceis de retirar, bem ventiladas e adequadas
ao clima e, se necessário, coma no deck.
O navegador deve evitar permanecer muito tempo dentro da cabine. Suba periodicamente para o deck e tente manter o
horizonte em sua visão lateral, observando-o por uma escotilha. Fique alerta com relação aos primeiros
sintomas pois, quando percebidos no início, podem ser reversíveis. Outra
dica é evitar ou limitar a ingestão de bebida alcoólica e também comer moderadamente.
MEDICAÇÕES
As drogas anti-enjôo são eficazes para diminuir a sensibilidade do sistema nervoso central aos estímulos causadores do enjôo ou abreviar os sintomas quando já instalados. A maior parte das drogas apresenta como efeito colateral sonolência e borramento da visão, motivo pelo qual muitos navegadores relutam em tomá-las. É necessário, para melhor efeito profilático, ingeri-las uma hora antes de sair de viagem.
Estas drogas pertencem a dois grandes grupos: antihistamínicos e anticolinérgicos. Os antihistamínicos (Dramim) podem ser consumidos por via
oral ou intramuscular e têm um efeito de seis a oito horas. Os anticolinérgicos podem ser comprados no exterior com o nome de Transderm-Scop ou Scopolamine, e seu uso é feito através de fitas adesivas colocadas atrás da orelha onde são absorvidas pela pele. O seu efeito dura em
média, três dias. Outras drogas podem ser usadas, mas sempre sob supervisão médica. De qualquer forma, é aconselhado procurar um médico antes de ingerir qualquer medicação, pois podem apresentar efeitos indesejáveis e têm contra-indicações.
Dr. Fábio Tozzi é médico-assistente da Divisão de
Clínica Cirúrgica do
Hospital Universitário, e o Dr. Fernando Campos é médico-assistente
da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário.

No. 21 -
Página 42 e 43
Copyright © 1994 - Atol
Editora Ltda.
Editor Responsável: Edison Maciel

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